quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Pós-Carnaval.

O Carnaval acabou ontem. Para algumas pessoas isso é sinal de:

“Eba! Agora posso sair na rua sem medo, sabendo que vou voltar para casa com tudo no lugar correspondente e sem nenhum adereço estranho em alguma parte do corpo.”

Outras pessoas têm um pensamento mais triste:
“Droga, acabou o Carnaval. E agora? Vou ter que trabalhar amanhã, voltar para o meu chefe mala e ainda por cima não por cima não peguei o MSN daquele gato (ou gata).”

    E tem outras pessoas que estão numa ressaca tão violenta, que se nem se lembram do próprio nome direito, imagina que o Carnaval já está no fim e aquelas pessoas com vassouras nas mãos tão limpando a rua e não dançando axé.

Mas Carnaval é Carnaval. E é o pós-Carnaval que nos mostra sua essência.
Não existe pós-festa no mundo que supere a quantidade de xixi despejado nos muros das cidades, a quantidade de cerveja, vodka, tequila e qualquer tipo de bebida-do-capeta que é consumida, o número gente desacordada no meio da avenida, de crianças que se perderam dos pais e de camisinhas usadas (ou não).
Só no Carnaval (ou no pós-Carnaval) que o índice de uso da frase “Que merda que eu fiz”, “Eu fiz aquilo mesmo?” e “Eu peguei aquela coisa?” aumenta quase 250%, que os níveis de decibéis suportados nos ouvidos quase estouram ao ouvir “NOTA DEZ”, “NOTA NOVE E SETENTA E CINCO” e principalmente, é só no Carnaval que os cristãos seguem fielmente aquela frase “crescei-vos e multiplicai-vos” (e o pós-carnaval neste caso só surge nove meses depois).

    Quem diz que Carnaval é um saco, tem problemas. Você tem mil coisas para fazer nesses 5 dias, ir ver as escolas de samba, dançar muito (seja no meio do encoxa-encoxa ou numa balada), você pode ir curtir alguma festa de carnaval, ir atrás do trio (e brincar de “quem sobrevive até o fim”), aproveitar que o caos está instalado aqui e fugir para algum país mais calminho, ficar em casa com seus amigos que também detestam essa data ou simplesmente jogar vídeo game sozinho(se você for do tipo anti-social) porque afinal você tem 5 dias que não precisa aturar a cara feia do seu chefe ou seu professor-muito-mala-mas-que-você-precisa-ser-amigo-para-conseguir-nota-no-fim-do-ano. É só tomar vergonha na cara e ir encontrar algo para fazer.

ps: com exceção daqueles que são zicados (como eu que fiquei o carnaval todo com febre e tossindo :/) haha.

Arrivederci. 

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

voltando a uma antiga.

Resolvi postar aqui hoje, um texto antigo meu, que já foi publicado nesse blog. Eu escrevi esse texto na época que a menininha foi jogada do prédio, o menininho foi arrastado pela rua (preso ao carro) e tantas outras coisas aconteceram. No meio disso, estava ouvindo aquela música do Black Eyed Peas, "Where is the love" e me deu a luz.
Eu tinha 16 anos quando escrevi, já se passou 2 anos e a música e o texto podem ser encaixados no mundo de hoje, como se fosse novo.


Where is the love?


Amor, um sentimento poderosíssimo, que é capaz de levar as pessoas à loucura, que aumenta a expectativa de vida, que deixa as pessoas mais jovens. Quem possui o Amor vive mais, aprecia a música de maneira diferente, sente o cheiro das rosas melhor, dança como um bailarino numa grande apresentação para toda a cidade, os olhos brilham como gotas de orvalho logo pela manhã e o sorriso nunca sai do rosto.

Enfim: quem ama, vive!

Agora então vamos a pergunta crucial: Onde está o Amor?

Será que esse sentimento tão poderoso se perdeu no meio das guerras e sofrimento, assim como a Paz? Ou será que está vagando lentamente entre as fronteiras da terra e o céu como a Esperança?

Crianças nos diversos países passando fome, adultos batalhando por míseros centavos, adolescentes sendo obrigados a viver no mundo do tráfico para a família não morrer de necessidade e idosos vindo a falecer sozinhos nas escuras e gélidas noites da cidade.

Onde está o Amor?

Crianças sendo arrastadas pelas ruas ou jogadas de prédios altos, adultos utilizando maneiras de passar por cima de todos na sociedade em beneficio próprio, adolescentes matando os pais brutalmente e idosos sendo agredidos por suas babás ou filhos.

Onde está o Amor?

É nesse mundo cheio de guerra, dor, sofrimento, ódio no coração que vivemos, que nascemos e morremos. Um mundo no qual nossos sentimentos já se acostumaram e não é toda notícia no jornal que nos choca, aquelas mais bárbaras talvez.


O ser humano é o pior mal da Terra, mas pior que sua própria existência, talvez seja sua capacidade de acomodação, sua capacidade de ignorar a destruição e a perda do amor porque tudo isso já virou rotina. Sim, acho que o Amor já se perdeu junto com a paz na nossa rotina de destruição. A Esperança acho que é a última das sobreviventes e talvez a única que seja eterna.

Onde está o Amor?
Perdido.


Arrivederci.