- Onde estou? - ela abriu os olhos atordoada.
Olhando ao redor não identificava aquele espaço, tudo estava meio confuso. Logo reconhecera o seu quartinho minúsculo na modesta casa que vivia, mas não era o "seu" quarto, tudo estava diferente.
Levantou então e caminhou lentamente, examinando os detalhes. As bonecas e os bichinhos de pelúcia sumiram, seus vestidos cheios de babadinhos desapareceram, os inúmeros contos de fada que se enfileiravam em sua prateleira também não estavam lá. O lustre rosa havia sumido, juntamente com as fadinhas que "dançavam" ao seu redor.
- O que houve aqui? - dizia para si, enquanto observava o quarto reformado.
No lugar estavam perfumes, maquiagens, roupas mais curtas e apertadas, livros de Machado de Assis, José de Alencar, Graciliano Ramos, além de alguns no estilo "Gossip Girl" ou "Garota Americana". Havia fotos de atores e cantores famosos dispostos na parede do quarto, imagens de Jenny com as amigas em poses estranhas, colares e brincos guardados numa caixa prateada e um abajur cinza efeitava sobriamente a mesinha de cabeceira.
- O que estou sentindo? - questionou ao inalar o ar misterioso do quarto. Sentiu que era uma mistura de cigarro com perfume feminino e um cheiro de vodka também era sentido, ao mesmo tempo, que uma doce brisa com frescor de liberdade entrava pelo quarto. Ouvia-se uma música dançante ecoando pelas paredes enquanto a luz do quarto reluzia como se fosse uma boate. Os meninos eram importantes naquele momento e as amigas, fundamentais. A sensação de felicidade, o sorriso e os momentos felizes que sentia também nunca foram tão presentes.
- O que é isso? - De repente, um peso em suas costas parecia ter sido liberado do teto no quarto. Ela mal podia andar. Sua cabeça doía, palavras como faculdade, festas, provas, amigos, família, responsabilidade, percorriam sua mente.
- O que está acontecendo? - disse sentindo um misto de emoções em seu corpo. Eram as dores do fracasso, vontade de sumir e chorar, ao mesmo tempo que sentia explosões de felicidade, desejo de congelar o tempo. Sentia-se apaixonada. Sentia-se viva.
Foi quando finalmente percebeu que aquilo era mais do que um sonho estranho, era uma realidade maluca.
A realidade de ser adolescente. Ser adolescente é se sentir assim, com mais ou menos intensidade, é saber que pode tem certa liberdade ao mesmo tempo que deve temer o futuro.
A Realidade de ser adolescente é exatamente essa que vivemos, é a
nossa realidade, a qual construímos todos os dias.
Obs: Texto criado a partir de uma ídeia proposta num tema na aula de inglês.
Baseados em fatos reais. ;)
Arrivederci.